quinta-feira, 18 de junho de 2015

As pontes de Madison. Ler ou não Ler?

Tudo bem, literatos de plantão?
Após passarmos toda uma semana com flores, cupidos e promessas de amor eterno (influência do Dia dos Namorados), nada mais óbvio que eu falasse de uma história de casais apaixonados. Mas, já aviso, desta vez não conseguirei ser imparcial. Porquê? Porque só de lembrar dessa história, começo a suspirar e ficar com os olhos cheios de lágrima, emocionado. Dessa vez não vou falar de um romance qualquer, mas sim de um dos meus livros preferidos. Um livro maduro, sensível e emocionante, que foi capaz de me mostrar o amor como verdadeiramente deve ser. De que obra estou falando? Do As pontes de Madison, que acabou de ser relançado pela única.
Querem saber porque este livro mexe tanto comigo? Vou contar.

Nenhum amor é proibido.
Um homem capaz de transformar o seu amor, convertê-lo em fotografias, perdido na solidão de seus dias. Uma mulher cuja família já consegue andar sem ela, perdida em sonhos que nunca conseguiu cumprir. Francesca e Robert são assim, um casal sem vislumbre de algo que mexa com seus corações, oprimidos pelas decisões que suas vidas os conduziram. Até que um dia, Robert chega até Madison County, para tirar fotos de suas famosas pontes e sua vida encontra a de Francesca. Surge então um sentimento que muitos julgariam como errado, pelos fatos dos dois não serem mais jovens, com seus compromissos e relacionamentos. Mas como achar algo de proibido num sentimento tão intenso quanto o deles? Principalmente neste caso em que Robert James Waller consegue traduzir como poucos amor em palavras, ausência em prosa, desejo em verso. Apesar de sabermos em todos instantes que este é um encontro onde a traição é um dos grandes dilemas – e tabu em qualquer relacionamento – aqui, talvez pela beleza do encontro, soa palpável, como se pudéssemos tocar os personagens e ampara-los nos braços.

Uma história dentro de outra
Para dar mais veracidade na história, o autor nos relata que a história de Francesca foi entregue a ele pelos filhos dela. Através destes fatos, ele consegue nos mudar como leitores no começo e no final da trama, nos enchendo de um amor dolorido, uma saudade velada, talvez um ciúmes por não nos ousarmos muitas vezes sentir algo como aquilo que Robert e Francesca sentiram, em quatro dias que os marcou para a vida toda.
E nos marca em cada percorrer de página. Nada fica de fora, destoante, sem sentido. Tudo é explicado, com simplicidade e afeto, como poucas vezes eu vi.

Escolhas atemporais
Nessa edição, lançado pela Única para comemorar os 20 anos de lançamento do filme, brilhantemente estrelado por Meryl Streep e Clint Eastwood, rememorei mais uma vez essa história de sentimentalismo e abnegação. Já havia lido a obra pela primeira vez em 1993, alguns anos antes do filme, e revisitar esta edição caprichada foi uma experiência única e madura, já que eu, como leitor – e já escritor – a vê de modo completamente diferente. Foi a reafirmação, em minha singela opinião, que para se escrever um clássico não é preciso textos mirabolantes e reviravoltas incessantes. Basta que, na sua simplicidade, o autor fale ao coração de seus leitores, pois os sentimentos humanos não envelhecem. Isso transforma histórias em lendas.
Ler ou não ler, amado?
Leia, aventure-se, mergulhe nesse mundo de escolhas e abnegação. Descubra como as vezes amar pode ser suficiente – ou não. Deixe que seu coração tome asas e nos leve para conhecer uma linda ponte… Nela, um homem e uma mulher a se fitarem, cheios de dúvidas e medos, apesar de acharem que nada mais de mágico pudesse lhes acontecer. Ouça o acelerar do peito, suspire e nunca mais esqueça essa obra-prima.

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