Ultimamente, sem sombra de
dúvidas, estou cada vez mais a pensar que a sociedade se tornou um circo
armado, com luzes, holofotes e muita bagunça, onde as pessoas passam a
maior parte do tempo a brigar por mesquinharias jogadas pelos grandes e
se esquecem do que deve ser valorizado na vida. A homossexualidade*
parece ser a bola não só da vez, mas dos últimos anos. Não estou dizendo
só comercial do perfume, ou da tal ditadura gay que dizem ser impostas
por aí, mas pelo simples fato das pessoas esquecerem o que é amor… Esse
sentimento que deve mover o mundo, que dele origina um bando de coisas
boas. Gente, numa boa, o que importa para mim com quem você faz sexo se
eu quero ser apenas seu amigo?! Se eu vou casar com João, com Maria, ou
com os dois, o que mudará para você? Eu não posso abraçar alguém porque
vai ferir seus olhos? Atacar-me por isso não é tão agressivo como se eu
dissesse arranque os olhos para que não me veja?
O ser humano teme o diferente, o que foge dos seus padrões, o que não consegue compreender, sem tentar ver quais as semelhanças que tem com o outro, em vez de destacar as diferenças. E isso me entristece, não imaginam o quanto. Mas aí, surgem algumas coisas, como Olho de Boto de Salomão Larêdo que vem para agitar essa bagunça e levantar questionamentos. Quer saber o porquê? Assuma-se ser quem você é e siga-me:
Um romance homoafetivo?
Mais que isso, Olho de Boto é uma caldeirada humana, onde expõe sem limites toda nossa hipocrisia e evidencia o amor, acima de todas as coisas. Afinal, Inajacy nunca se viu como homem, sempre se viu como objeto de amor de Inajá, a sua alma-gêmea, com quem queria se casar e passar toda a vida. Um amor cheio de afeto e desejo, sem o preconceito que a sabedoria muitas vezes impõe. Em Inacha, lugar onde vivem, não há as barreiras que a sociedade limita, principalmente na década de 60, onde a história se passa. E, por isso, além da trama central, que mostra o inesperado e afetuoso casal, vemos todas as mazelas que a sociedade proíbe – mas pratica – sendo destruídas, tijolo por tijolo.
Sacrilégio?!
Aos mais moralistas, o livro pode ser um pleno atentado à moral e aos bons costumes. Cru, seco e incisivo como deve ser, cada capítulo é chamado de estação, fazendo claras alusões a Via Sacra que Jesus Cristo fez à caminho da cruz. E os noivos passam por situações parecidas, ou até mesmo idênticas as que o Mestre passou. Podem desfazer as caras de choque e abrir suas mentes, para entender a mensagem proposta pela obra. Afinal, todo cristão sabe o quanto Cristo fez para mostrar o amor aos homens, e como ele foi a minoria diante de todos que o condenaram, apontaram o dedo e o vilipendiaram. Não estou comparando, gente, prestem clara atenção, mas falando que o Salomão Larêdo decidiu colocar isso de uma forma que fizesse o leitor acordar para a vida. Afinal, acusar e humilhar aquilo que não concordamos nos faz diferente daqueles que condenaram o Filho de Deus há milênios atrás?
Vermos com naturalidade
No decorrer da trama, tudo é exposto, nada é escondido. Pois após mostrar detalhes do casamento de Inajá e Inajacy, o autor tece uma intrincada teia de cenas mostrando as paixões afloradas, junto a incompreensão e a violência tão exacerbadas. Mesclando passado, presente e futuro, vai construindo um panorama real, ácido e – por vezes, triste – do nosso país. Talvez, penso eu, se tudo fosse visto com a naturalidade que precisamos, as coisas não fossem vistas – e consideradas – como “em excesso”, “desnecessárias” ou “ofensivas”. Após trechos, principalmente de violência narradas na obra, e tão críveis, eu penso que deveríamos voltar a ser crianças, e olhar as coisas com olhos de não-conceitos.
E aí? Leio ou não leio?
Como a maioria dos livros que vejo chegando da Editora Empíreo (Palmas para eles!), esta é uma história para você sair da casinha. Não espere uma obra mastigada, pronta, massificada, que não vai mexer com seus sentidos. Digo e repito: não é para qualquer um, e se você não estiver pronto – e disposto – para absorver o espírito da coisa, vai achar uma droga. Portanto, se quer algo coloquial, comum, fuja desse livro. Agora, se procura algo que te fará pensar e, depois, você terá altos papos sobre o assunto, pode confiar que este livro é seu.
Até mais, peps!
P.S.: *O termo correto a ser empregado é homossexualidade. Se você utilizar a palavra homossexualismo para definir aqueles que tem desejo e afetividade pelo mesmo sexo, já soa preconceituoso. O termo ismo categoriza o fato de ser gay como doença, e era utilizado quando o homossexual fazia parte do CID 10 – Classificação Internacional de Doenças, coisa que já deixou de acontecer há décadas.
Olho de Boto
Editora Empíreo
275 páginas
Sinopse: Inacha é um povoado pacato e ordeiro da floresta amazônica, onde ninguém contesta o poder do regime militar recentemente implantado no Brasil. Porém, tudo muda quando um acontecimento grandioso é agendado: dois homens decidem se casar, décadas antes do mundo discutir os relacionamentos homoafetivos.
Inspirado em fatos reais, Salomão Larêdo apresenta um romance contestador, que deseja disseminar o amor livre por todos os lugares e criticar a incompreensão e a violência comuns numa terra tão afastada da civilização.
O ser humano teme o diferente, o que foge dos seus padrões, o que não consegue compreender, sem tentar ver quais as semelhanças que tem com o outro, em vez de destacar as diferenças. E isso me entristece, não imaginam o quanto. Mas aí, surgem algumas coisas, como Olho de Boto de Salomão Larêdo que vem para agitar essa bagunça e levantar questionamentos. Quer saber o porquê? Assuma-se ser quem você é e siga-me:
Um romance homoafetivo?
Mais que isso, Olho de Boto é uma caldeirada humana, onde expõe sem limites toda nossa hipocrisia e evidencia o amor, acima de todas as coisas. Afinal, Inajacy nunca se viu como homem, sempre se viu como objeto de amor de Inajá, a sua alma-gêmea, com quem queria se casar e passar toda a vida. Um amor cheio de afeto e desejo, sem o preconceito que a sabedoria muitas vezes impõe. Em Inacha, lugar onde vivem, não há as barreiras que a sociedade limita, principalmente na década de 60, onde a história se passa. E, por isso, além da trama central, que mostra o inesperado e afetuoso casal, vemos todas as mazelas que a sociedade proíbe – mas pratica – sendo destruídas, tijolo por tijolo.
Sacrilégio?!
Aos mais moralistas, o livro pode ser um pleno atentado à moral e aos bons costumes. Cru, seco e incisivo como deve ser, cada capítulo é chamado de estação, fazendo claras alusões a Via Sacra que Jesus Cristo fez à caminho da cruz. E os noivos passam por situações parecidas, ou até mesmo idênticas as que o Mestre passou. Podem desfazer as caras de choque e abrir suas mentes, para entender a mensagem proposta pela obra. Afinal, todo cristão sabe o quanto Cristo fez para mostrar o amor aos homens, e como ele foi a minoria diante de todos que o condenaram, apontaram o dedo e o vilipendiaram. Não estou comparando, gente, prestem clara atenção, mas falando que o Salomão Larêdo decidiu colocar isso de uma forma que fizesse o leitor acordar para a vida. Afinal, acusar e humilhar aquilo que não concordamos nos faz diferente daqueles que condenaram o Filho de Deus há milênios atrás?
Vermos com naturalidade
No decorrer da trama, tudo é exposto, nada é escondido. Pois após mostrar detalhes do casamento de Inajá e Inajacy, o autor tece uma intrincada teia de cenas mostrando as paixões afloradas, junto a incompreensão e a violência tão exacerbadas. Mesclando passado, presente e futuro, vai construindo um panorama real, ácido e – por vezes, triste – do nosso país. Talvez, penso eu, se tudo fosse visto com a naturalidade que precisamos, as coisas não fossem vistas – e consideradas – como “em excesso”, “desnecessárias” ou “ofensivas”. Após trechos, principalmente de violência narradas na obra, e tão críveis, eu penso que deveríamos voltar a ser crianças, e olhar as coisas com olhos de não-conceitos.
E aí? Leio ou não leio?
Como a maioria dos livros que vejo chegando da Editora Empíreo (Palmas para eles!), esta é uma história para você sair da casinha. Não espere uma obra mastigada, pronta, massificada, que não vai mexer com seus sentidos. Digo e repito: não é para qualquer um, e se você não estiver pronto – e disposto – para absorver o espírito da coisa, vai achar uma droga. Portanto, se quer algo coloquial, comum, fuja desse livro. Agora, se procura algo que te fará pensar e, depois, você terá altos papos sobre o assunto, pode confiar que este livro é seu.
Até mais, peps!
P.S.: *O termo correto a ser empregado é homossexualidade. Se você utilizar a palavra homossexualismo para definir aqueles que tem desejo e afetividade pelo mesmo sexo, já soa preconceituoso. O termo ismo categoriza o fato de ser gay como doença, e era utilizado quando o homossexual fazia parte do CID 10 – Classificação Internacional de Doenças, coisa que já deixou de acontecer há décadas.
Olho de Boto
Editora Empíreo
275 páginas
Sinopse: Inacha é um povoado pacato e ordeiro da floresta amazônica, onde ninguém contesta o poder do regime militar recentemente implantado no Brasil. Porém, tudo muda quando um acontecimento grandioso é agendado: dois homens decidem se casar, décadas antes do mundo discutir os relacionamentos homoafetivos.
Inspirado em fatos reais, Salomão Larêdo apresenta um romance contestador, que deseja disseminar o amor livre por todos os lugares e criticar a incompreensão e a violência comuns numa terra tão afastada da civilização.
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